jesus

A HISTÓRIA JAMAIS CONTADA OU SOBRE COMO JESUS REALMENTE TRANSFORMOU ÁGUA EM VINHO

Pois vos digo, meus senhores e minhas senhoras que aqui presente estão neste exato momento e neste exato lugar: Dan Brown, aquele dos filmes com o Tom Renquis, Dan Brown, repito, gostaria de ter escrito esta narrativa, mas eu me adiantei e escrevi primeiro.

Lá vai.

Silencioso como uma tumba, vinha Jesus cambaleando pelas veredas de Nazaré. Estivera num puteiro, ele e os doze, e agora, após despedir-se de Judas, o último sobrevivente, Jesus ergue um copo vazio a uma senhora que por ali passa, e implorando, a mão tremendo, os olhos lacrimejantes, diz: dai-me água, senhora, por Deus!, dai-me água. A tal senhora, diante àquele belo rapaz de longos cabelos castanhos, pintado por da Vinci, fazendo carinha de pidão, deu-lhe água, uma garrafa cheia. Jesus agradece fingindo comoção, despede-se e dá meia volta. Com a boca da garrafa na altura do peito, mão direita pairando o gargalo, Jesus olha prum lado, Jesus olha pro outro… e dá uma tremidinha na munheca. A água vira vinho.

E vinha Jesus cambaleando pelas veredas de Nazaré, cantando mais ou menos assim:

Maaaadalena, madalena
Você é meu bem querer (meu bem querê Ê Ê)
Eu vou cantar pra todo mundo
Vou cantar pra todo mundo
Que eu só quero é vocêêê

Breve conto insólito sobre Jesus

E vinha Jesus andando pelas veredas de Nazaré, suando litros, com aquela longa cabeleira que da Vinci lhe deu, o sol queimava, os galos cantavam, quando avistou uma multidão, ergueu os braços aos céus e disse:

– Irmãos que vêm do norte, irmãos que vêm do sul, irmãos que vêm do leste e irmãos que vêm do oeste, em nome de Deus vos digo, não se acadelem!

O povo exaltou Jesus e agradeceu ao bondoso Deus por enviar seu filho para salvá-los. Um cego surgiu na multidão e cambaleou até Jesus, ajoelhou-se e implorou pela cura, Jesus agachou-se e sussurrou ao seu ouvido: pega aqui essas duas moedas de ouro, levanta, grita que estás enxergando e some-te, infeliz! O cego obedeceu. É um milagre, as pessoas comentavam.

Desse dia em diante, em Nazaré, nenhum homem, mulher ou criança voltou a acadelar-se.

Ô glória.