café

Lista de possíveis respostas que eu daria ao Abujamra numa hipotética entrevista quando ele me perguntasse: “O que é – pausa poética – a vida?

  1. A vida é um amontoado de verbos, à espera da morte.
  2. Não sei te dizer. O que sei é que não nasci pra dar essa resposta.
  3. A vida é mandar o chefe tomar no cu, numa segunda-feira, e depois comprar uma passagem, direta, só de ida, pra Salvadô.
  4. A vida é não saber quantos degraus faltam.
  5. A vida é papai e mamãe, de quatro, de ladinho, por baixo, por cima, em pé, no elevador, na escada, no terraço, sentado, algemado, amarrado, boquetinho no cinema, em pé, por baixo, por cima, no claro, no escurinho, anal, oral, sub-lingual(oi?), chuva dourada(quê?!), de quatro, a dois, a três, a doze(mas credo), squirt (olha no google), papai e mamãe, sentado, de quatro, de ladinho…
  6. A vida é morrer aos poucos.
  7. A vida é sangue nozóio, nego.
  8. Caféééé!!!
  9. Bacon!
  10. Caféééé!!!!
  11. A vida é o que acontece lá fora enquanto você está cag(s)ando.
  12. A vida é aquilo que tentamos definir enquanto ela passa diante do nosso futuro cadáver. Esta me foi enviada pela Laila, só acrescentei a parte do cadáver. Agradeço e já aproveito pra deixar aqui um beijo pra ela, a Laila.
  13. A vida é uma constante inconstância. Beijo, Olívia.
  14. A vida é uma sucessão de causas perdidas.
  15. A vida é uma grande e solene merda, mas é divertida pra caralho.

A lista tende a crescer. Aos poucos vou alimentando ela com sucrilhos e farinha láctea .

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Sem açúcar, por favor

Passou a garçonete, ele apertou suas coxas e levou um bofetaço bem dado, na cara. O estouro do tapa por um instante abafou o Belchior que saía pelo radinho a pilha em cima da prateleira do trailer improvisado de bar. Um velho bêbado de canha atirado numa cadeira acompanhava a música mais resmungando do que cantando: “A minha alucinação é suportar o dia a dia e meu delírio é experiência com coisas reais…”

Ele tomou o tapa, baixou a cabeça, sacou uma arma, pistola, preta, apontou pra moça que não entendeu – foi em legítima defesa, ela pensou. Ele disparou, não deu estrondo, não houve sangue, apenas água. Era de brinquedo. Pediu um café bem preto. Ela chorou.