bug

Bug da Matrix – parte um

Texto escrito em parceria com o grande amigo, escritor, mago, compositor, vidente, artista plástico e cineasta Yuri Sebastian Ferrari.

– Eu tô bugado.
– Ah é?
– Sim, tô meio estranho.
– Capaz?
– Acho que é o bug da Matrix, sabe?
– Tá brincando, de novo?
– Tá ouvindo?

rrrrrrrrrrrrrr

– Sim, a Matrix tá bugada.
– Eu tô.
– Às vezes me sinto assim, então fumo mais um e espremo umas laranjas…
– Ah é, e passa?
– Claro, rapaz, a última vez que fiquei assim foi depois de ver aquele
do Glauber Rocha que fala dos cangaceiros…
– A maioria é de cangaceiros.
– É, eu vi e o negócio me bugou. Sei do que tu tá falando, também fiquei assim, outro dia, depois de comer o xis calabresa do Claudio Lanches.

Trocou de canal. Na televisão passava uma luta de MMA feminino; duas mulheres musculosas trocando socos, chutes e caneladas. Maria mata leão Vs Zélia punho de pedra.

– Sei lá, cara, não comi nada da rua e não vi nenhum filme de lóqui.
Tô bugado de um jeito diferente. Tu comia uma mulher parruda dessas?
– Se pá. Como assim bugado diferente?
– Ah véi, não sei explicar… hey, cara, tô sentindo uma coisa estranha aqui na barriga…

Levantou a camiseta, a barriga foi inchando, crescendo, inchando, ficando roxa e explodiu. Ploft. Dali de dentro saiu uma
criaturinha estranha, bípede de aproximadamente um metro e trinta, pele verde-musgo, olhos vermelhos faiscantes, careca e com um bigodinho ruivo. Falou:

– Oi, eu sou o Boris, mas pode me chamar de Bug da Matrix.

Continua…

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