bob dylan

Visions of sweet…

“…And these visions of Johanna are now all that remain.”

Bob Dylan – Visions of Johanna

Ela veio leve como uma pluma tornando-me lírico feito um novelo – um coitado apaixonado de olhar perdido no horizonte da minha, só minha saudade. Veja o pobre Horácio, cujos desfechos desconheço. Teus dedos gélidos, gestos cálidos. Como pode um desejo de ti suprir tanto instinto meu? Já não vejo seios, bundas nem ruivas. Meu mundo deu voltas, parou, girou e se perdeu. Ô tristeza.
Por anos versei versos cegos-surdos-mudos pra ela que nunca esteve aqui, que não descobriu meu ponto fraco. Ponto este que se revelou a ti de imediato. Agora eu fico escutando aquela música do Dylan, devido as quatro últimas letras. Me pego com os dedos acariciando a ferida no meu braço. Por que mesmo tu dá um pulo quando beijo teu pescoço?
O paraíso tem tudo a ver com a gente. O inferno mais ainda. Morder é atividade profana aos pudorados, pobres coitados, grupinho no qual a gente não se encaixa. Olha o gordinho ali no caixa olhando como se fossemos os bêbados mais bêbados do mundo. Mas que se foda! Esse mundo de papel e caneta é meu e teu, só nosso. A gente costura, mente, fuma, assiste a missa e passa a tarde bebendo da chuva. Da nossa saliva fiz um rio que me inunda. Juro que não sei o que isso quer dizer!
E lá vai, vai o trem, a gente perdeu. Ele segue sem saber o que é amar. Amar nunca foi um mar nem nada. Amar era e continua sendo coisa de novela. Uma incógnita. E que barbaridade infame todo aquele desdobre sobre o assalto e que, na verdade… né?
Mas me desculpa se vou pulando de assunto a cada frase – feito amarelinha -, mas tu bem sabes: é o meu jeito de comunicar as coisas dedilhantes, tudo que fervilha, salta e dança nesta minha confusão mental. E quer saber o que é dedilhante? Você! Você que me nocauteou com tudo na metade do terceiro assalto, soco, beijo, mordida, minhas pernas bambas e o chão. Você, que riu alto pra valer. Você.