bar

Sem açúcar, por favor

Passou a garçonete, ele apertou suas coxas e levou um bofetaço bem dado, na cara. O estouro do tapa por um instante abafou o Belchior que saía pelo radinho a pilha em cima da prateleira do trailer improvisado de bar. Um velho bêbado de canha atirado numa cadeira acompanhava a música mais resmungando do que cantando: “A minha alucinação é suportar o dia a dia e meu delírio é experiência com coisas reais…”

Ele tomou o tapa, baixou a cabeça, sacou uma arma, pistola, preta, apontou pra moça que não entendeu – foi em legítima defesa, ela pensou. Ele disparou, não deu estrondo, não houve sangue, apenas água. Era de brinquedo. Pediu um café bem preto. Ela chorou.