Fabi

Lembrei da Fabi, do escritório. Sempre ia ao banheiro com uma bolsinha. Tenho certeza que levava lenço umedecido ali, pra manter o cu limpinho. Quando ela entrava no corredor, já se escutava o tec tec dos tamancos, cediam-lhe alguns centímetros de estatura e uma bundinha empinada. A Fabi chegava segunda-feira com uma monstruosa necessidade de narrar todos os detalhes do seu ma-ra-vi-lho-so final de semana no Rio, acompanhada dum carioca bonitão, que é sobrinho dum bicheiro, e ela o chamava de amor, e ele tinha mordomo, mansão, carro, moto, barco, lancha, sauna, piscina, champanhe francesa, beleza, carisma, pegada…

Três semanas depois, o cara sumiu.

A Fabi autointitulava-se “A Cara”. A mulher exagerava no antidepressivo. Autoestima demais. Eu sabia que ela dava pro dono do escritório porque o negão da segurança me contou. Dizia que ia ler um livro chamado Por que os homens gostam das mulheres poderosas, ou algo assim. Deus nos socorra.

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