Mês: março 2015

Cubo

Nos loucos o sanatório é uma benção. Deus é um hospício de estar. Sofre-se, perde-se, treme-se. Teme. O que se há de fazer? As palavras atingem mais que as balas, a gente sabe. Três acordes de blues ferem mais que um brigadiano à paisana com o cassetete enterrado no rabo, até o cabo. O pastor enche a sunga de grana e pratica lavagem de dinheiro. Os fiéis praticam oferenda, esta que viaja de helicóptero e vá-alguém-me-dizer aonde o dinheiro do dízimo foi parar. Quero saber. Enquanto isso, Macedos, Silas e Soares enchem a cara de uísque importado e cheiram a cocaína mais pura com qual você nunca sonhou, meu caro amigo me perdoe por favor. Freud sempre cheio de explicações. Meus amigos assistiram ao filme V de Vingança e estão brincando de revolução. Deus, por aqui, não passou. Meus amigos agora estão discutindo, eles querem implantar um novo modelo de totalitarismo, mas com um traço progressista e libertário.

Onde está a novidade?

A juventude é impressionável.

A loucura não possui endereço, gênero, raça e nem classe social. Mas a fome, a fome é outra coisa.

Feito latas em sardinha, os coletivos se espremem dentro dos homens lotados. Um silêncio estridente corta o vidro em mil caquinhos de sino. Vil é a cidade do prefeito. Vil é o preço dos ternos corrompidos. Vil é o pescoço que enforca na gravata um senado, um congresso, um césar e um augusto. Nas igrejas, índios sangram catequeses. Os agrotóxicos não dão conta. A escória sente fome. Os vermes fazem festa. E os poetas fazem versos.